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domingo, 27 de janeiro de 2013

Lembre-se do verbo lembrar

Lembre-se do verbo lembrar: uma questão de regência


Esta postagem será breve. Espero. O verbo LEMBRAR possui dupla regência, ou seja, existem duas formas de ele se relacionar com o seu complemento. É importante conhecer essa dupla regência na norma padrão, para usar adequadamente em contexto formais.

Curiosidade: o verbo LEMBRAR derivou, ao longo de muito tempo, do verbo memorar, do Latim. Foi mais ou menos assim: memorar > mem'rar > nembrar > lembrar.


Vamos à regência. Com o significado de trazer à memória, recordar, esse verbo pode se apresentar assim:

VTD ou Bitransitivo: 

* Rimos muito enquanto lembrávamos as aventuras do tempo de escola. (Verbo Transitivo Direto - liga-se ao complemento sem preposição: "as aventuras")

* Lembrei ao meu amigo o acordo que havíamos feito. (Bitransitivo - liga-se a um complemento com preposição: "A o meu amigo"; e a outro complemento sem preposição: "o acordo")

Nesse caso, o complemento que constitui "aquilo que é lembrado" liga-se ao verbo diretamente, sem preposição.

PRONOMINAL
Obs.: Verbo pronominal é aquele que se acompanha de um pronome oblíquo da mesma pessoa que o sujeito (eu>me / ele>se / nós>nós, etc.)

* Poucos se lembram dos mais necessitados. (O verbo é acompanhado do pronome oblíquo 'se' e o complemento liga-se ao verbo com uso de preposição: "dos [DE + os] mais necessitados").

Quando o verbo lembrar é usado como pronominal, o seu complemento deve ser antecedido pela preposição 'DE'. Portanto, nessa situação o verbo é transitivo indireto.

A princípio, o significado é o mesmo (Poucos lembram os mais necessitados / Poucos se lembram dos mais necessitados), a menos que esse verbo seja usado como BITRANSITIVO (lembrar "algo" "a alguém"), pois nesse caso o complemento que indica o "elemento lembrado" não poderá ser acompanhado de preposição.

Então o que determina a escolha? A vontade do usuário. Vai depender do estilo, da sonoridade (no caso de textos artísticos) ou do gosto, pois o significado não sofre alteração.

O caso do verbo ESQUECER é bem semelhante, com a principal diferença de que ele nunca é BITRANSITIVO. Assim:
* Eu esqueci os documentos do carro (VTD)
* Eu me esqueci dos documentos do carro (pronominal e VTI)

Então, resumindo, o verbo lembrar, com o significado que consideramos, pode-se se apresentar assim:

VTD: Não lembro o que me deixou chateado.
Pronominal e VTI: Não me lembro do que me deixou chateado.

Não foi tão curto quanto eu esperava, mas enfim, é só isso.
Até a próxima!
Não esqueça de compartilhar nas redes sociais nem de comentar.

Diogo Xavier



tags: regência verbal, lembrar, lembrar-se, dicas, vocabulário.

Homônimo. Que danado é isso?

Homônimo. Que danado é isso? E um pouquinho de semântica.

No ensino médio, quando comecei a ler textos informativos com mais frequência e de nível vocabular um pouco mais complexo, entrei em contato várias vezes com uma palavra cujo significado eu desconhecia e nunca lembrava de consultar no dicionário.  HOMÔNIMO.

Vou abordá-la tanto na aplicação vocabular quanto na perspectiva da SEMÂNTICA, área da linguística que estuda  os significados.

Não lembro as frases em que li essa palavra, mas posso dar um exemplo simples: 
"O estudante de direito José de Alencar afirmou nunca ter lido as obras do autor homônimo."

Analisando a etimologia da palavra, temos, do grego:
homo (igual) + numos (nome) = nome igual, mesmo nome

Homônimo, portanto, se refere àquilo que tem o mesmo nome. No exemplo, "autor homônimo" indica que o referido escritor possui o mesmo nome. Qual? O do estudante de direito José de Alencar.

O livro e o filme ao qual deu origem são obras homônimas
Outros exemplos: "Tanto o filme quanto o livro homônimos 'As vantagens de ser invisível' têm o poder de prender a atenção até o fim'"; "O single 'Crazy', da banda Aerosmith alcançou várias gerações, diferente da música homônima do grupo Simple Plan, visto que não passou muito tempo nas paradas de sucesso".

Bem, agora partindo para a semântica, posso antecipar que as palavras HOMÔNIMAS são estudadas ao lado das SINÔNIMAS, ANTÔNIMAS e PARÔNIMAS. Vale a pena relembrá-las:

Sinônimas: palavras diferentes que possuem significados semelhantes ou que, em alguns contextos, podem ser trocadas sem alteração de sentido. Obs.: a linguística afirma que não existem sinônimos que possuem o MESMO significado em todos os contextos. Por isso, dizemos que são significados semelhantes.

Antônimas: são palavras diferentes cujos significados se opõem, são contrários ou incompatíveis: dia / noite; subir / descer.

Parônimas: palavras que, apesar de apresentarem semelhança em sua grafia e/ou pronúncia, possuem significados diferentes: despensa / dispensa; comprimento / cumprimento.

E por fim,
Homônimas: são palavras iguais, em um ou mais aspecto, que possuem significados diferentes. Conforme o tipo de igualdade, as palavras homônimas são subdivididas em:

Homógrafas: São iguais na foma de escrever. Exemplo: forma (ó) e forma (ô).

Homófonas: Possuem a mesma pronúncia, porém são escritas de maneira diferente, como: por que, porque, por quê e porquê; mal e mau (em algumas regiões, a diferença na pronúncia é notável, mas na maioria dos lugares, a pronúncia é a mesma)

Homônimas perfeitas: São palavras que possuem a mesma grafia e a mesma pronúncia, porém tem origem e significado diferentes. Exemplo: manga (parte de roupa, fruto, pasto, entre outros significados). Mangueira (árvore, tubo flexível, etc.).

Bem, já escrevi demais. Por ora, já chega.
Até a próxima.

Diogo Xavier

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