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A língua é uma das minhas maiores paixões - seja no campo da linguística seja relativa ao paladar. Este blog está centrado na primeira opção, mas de tudo um pouco pode ser encontrado aqui: leituras deleite, dicas, tira-dúvidas, análises linguísticas e tópicos de gramática normativa, curiosidades, humor e muito mais. Está esperando o quê?! Professor Diogo Xavier

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quinta-feira, 28 de abril de 2011

Dois Corpos Que Caem - João Silvério Trevisan

Conto muito interessante, pós moderno, arrisco dizer.
Boa leitura, e escuta!

Dois Corpos Que Caem - João Silvério Trevisan







Por simples acaso, dois desconhecidos encontraram-se despencando juntos do alto do Edifício Itália, no centro de São Paulo.
- Oi – disse o primeiro, no alvoroçado início da queda. – Eu me chamo João. E você?
- Antônio – gritou o segundo, perfurando furiosamente o espaço.
E, só pra matar o tempo do mergulho, começaram a conversar.
- O que você faz aqui? – perguntou Antônio.
- Estou me matando – respondeu João. – E você?
- Que coincidência! Eu também. Espero que desta vez dê certo, porque é minha décima tentativa. anos venho tentando. Mas tem sempre um amigo, um desconhecido e até bombeiro que impede. Você afinal está se matando por quê?
- Por amor – respondeu João, sentindo o vento frio no rosto. – Eu, que amava tanto, fui trocado por um homem de olhos azuis. Infelizmente só tenho estes corriqueiros olhos castanhos…
- E não lhe parece insensato destruir a vida por algo tão efêmero como o amor? – ponderou Antônio, sentindo a zoada que o acompanhava à morte.
- Justamente. Trata-se de uma vingança da insensatez contra a lógica
- gritou João num tom quase triunfante. – Em geral é a vida que destrói o amor. Desta vez, decidi que o amor acertaria contas com a vida!
- Poxa – exclamou Antônio – você fez do amor uma panacéia!
- Antes fosse – replicou João, com um suspiro. – Duvidoso como é, o amor me provocou dores horríveis. Nunca se sabe se o que chamamos amor é desamparo, solidão doentia ou desejo incontrolável de dominação. O que na verdade me seduz é que o amor destrói certezas com a mesma incomparável transparência com que o caos significante enfrenta a insignificância
da ordem. Não, o amor não é solução para a vida. Mas é culminância. Morrer por ele me trouxe paz.
Ante o vertiginoso discurso, ambos tentaram sorrir contra a gravidade.
- E você, como se sente? – perguntou João a Antônio.
- Oh, agora estou plenamente satisfeito.
- Então por que busca a morte?
- Bom – respondeu Antônio – me assustou descobrir um fiasco primordial: que a razão tem demônios que a própria razão desconhece. Daí, preferi mergulhar de vez no mistério.
- Sim, da razão conheço demasiados horrores. Mas que mistério é esse tão importante a ponto de merecer sua vida?
- Não sei – respondeu Antônio. – Mistério é mistério.
- Mas morto você não desvendará o mistério! – protestou João.
- Por isso mesmo. O fundamental no mistério é aguçar contradições, e não desvendar. Matar-me, por exemplo, é bom na medida que me torna parte do enigma e, de certo modo, o agudiza. Tem a ver com a fé, que gera energias para a vida. Ou para a história, quem sabe…
- Taí um negócio que perdi: a fé. Deus para mim… – e João engasgou.
- Ora – revidou Antônio vivamente. – A fé nada tem a ver com Deus, que se reduziu a uma pobre estrela anã de energias tão concentradas que já nem sai do lugar. Deus desistiu de entender os homems, e virou também indagador. Sem Deus nem Razão, a única fé possível é mergulhar neste abismo do mistério total.
- Mas para isso é preciso ao menos saber onde está o mistério – insistiu João com os cabelos drapejando ao vento.
- Ué, o mistério está em mim, por exemplo, que me mato para coincidir comigo mesmo. Mas há mistério também em você: seu morrer de amor é o mais impossível ato de fé. Graças a ele, você participa do mistério. Porque se apaixonou pelos abismos. João olhou com olhos estatelados, ao compreender. E Antônio, que já faiscava na semi-realidade da vertigem, gritou com todas as forças:
- Há sobretudo este mistério maior de estarmos, na mesma hora e local, cometendo o mesmo gesto absurdo e despencando para a mesma incerteza, por puro acaso. Além de cúmplices, a intensidade deste mergulho nos tornou visionários. Você não vê diante de si o desconhecido? É que já estamos perfurando a treva.
E como tudo de fato reluzia, João também ergueu a voz:
- Sim, sim. É espantoso o brilho do absurdo.
- E agora – disse Antônio bem diante do rosto de João – falemos um pouco da permanência. Você gosta dos meus olhos azuis?
Foi quando os dois corpos se estatelaram na Avenida São Luiz.

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Prof. Diogo Xavier

segunda-feira, 18 de abril de 2011

CURSO DE INFORMÁTICA

LBV OFERECE VAGAS PARA
CURSO DE INFORMÁTICA GRATUITA
A Legião da Boa Vontade (LBV) está com inscrições para o preenchimento de 100 vagas para o Curso de Informática Básica, destinados a jovens e adultos em situação de vulnerabilidade social, a idade exigida é a partir de 14 anos, cuja escolaridade mínima, esteja cursando ou concluído o 9º ano (8ª série). Durante as aulas, cujo período são de três meses, os alunos aprenderão sobre ferramentas de editores de textos e planilhas, digitação, apresentação de slides e internet, além de noções de cidadania.

Para se inscrever, o estudante precisa estar munido de Xerox da RG, CPF, comprovante de residência e de escolaridade. O candidato fará uma prova de habilidades em língua portuguesa e matemática.

A inscrição para o curso de Informática vai até o dia 20 de abril, das 08h30 às 16h. Interessados devem se dirigir, a sede da Legião da Boa Vontade (LBV), localizada na Rua dos Coelhos 219, Boa Vista. Informações pelo telefone (81) 3413-8600.


Serviço:

Curso de Informática da LBV
Inscrições até o dia 20 de abril
Horário: 08h30 às 16h.
Rua dos Coelhos, 219 - Boa Vista
Informações: (81) 3413.8600

Projeto oferece livros infantojuvenis pela internet

Rio de Janeiro - Mais de 30 mil registros, o equivalente a 22 mil títulos, estão disponibilizados no site da Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil (Fnlij) para consulta de pesquisadores, estudiosos e educadores, dentro do projeto Biblioteca Fnlij, com patrocínio da Caixa Econômica Federal e Petrobras.
A secretária-geral da fundação, Beth Serra, disse à Agência Brasil que o site da Biblioteca Fnlij é o único no país com esse tipo de informação. Ele reúne um acervo tão vasto de publicações dedicadas ao público infantojuvenil. O projeto contribui para subsidiar pesquisas e políticas culturais e educacionais de compra de livros.

Todas as publicações recebidas pela fundação estão à disposição dos interessados na Biblioteca Fnlij. Cerca de 1,2 mil títulos são recebidos pela entidade a cada ano.

A ferramenta visa a auxiliar também os pais e educadores na compra de livros para as crianças e jovens, de acordo com a sua faixa etária. “A ideia é essa. A biblioteca tem um atendimento para quem é pesquisador e, também, para os pais e professores e educadores em geral. Eles podem saber o que está sendo publicado no Brasil dentro do universo infantil”, disse.

As informações sobre o acervo são atualizadas automaticamente, afirmou Beth Serra. Elas incluem os títulos premiados pela fundação ao longo dos anos e, ainda, os livros que se encontram no mercado. “É um cardápio bastante variado para pais e professores que já consultam para comprar acervo, para orientar a leitura”, ressaltou a secretária-geral da Fnlij.

Fonte: Agência Brasil

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Questões - Interpretação, orações subordinadas adverbiais desenvolvidadas e reduzidas

Avaliação Global - I unidade - 9º Ano - Colégio Independência



Estamos mais que acostumados a ver e ouvir, nos meios de comunicação, temas relacionados à cidadania ou à falta dela: corrupção, intolerância, preconceitos, entre muitos outros. O que não nos damos conta é que, muitas vezes, as causas de tudo isso podem estar mais próximas de nós do que pensamos. A esse respeito, leia a seguinte crônica, retirada de um blog:

Reflexões sobre cidadania, em 10 atos

Lô Politi

1 – Corrupção

A gente sabe que um dinheirinho consegue liberar uma multa ou furar uma fila. Dar um jeitinho. Coisa pequena. Se o dinheirinho começa a ficar grande, vira milhões, envolve um político ou um juiz, aí a gente começa a chamar de corrupção. Qual será o limite entre jeitinho e corrupção? A gente conviveu tanto tempo com esse mar de lama que já nem sabe mais o que é certo e o que é errado, o que pode e o que não pode. A gente acaba achando que o jeitinho é normal. Não é.

2 – Desrespeito

Às vezes a gente quer pagar uma conta atrasada e pega uma fila enorme. Fica horas em pé e ainda é mal tratado pelos funcionários. Isso porque a gente quer pagar, imagina quando quer pedir alguma coisa… Outras vezes a gente quer trocar um produto que veio quebrado… A gente pagou, fez tudo certinho, a loja que estava errada e ainda trata a gente mal. Sem saber direito com quem reclamar, a gente acaba deixando pra lá, como se isso fosse assim mesmo. Não é.

3 – Descaso

Se aparece um buraco no meio da rua, a gente desvia. Cresce o mato na praça que a gente frequenta, a gente volta pra casa. O lixo toma a calçada que a gente passa todos os dias, a gente se arrisca pela rua. Passa um tempo e o que era provisório passa a ser definitivo, o que era exceção passa a ser regra. E a gente nem percebe. Quando a gente se dá conta já está vivendo no meio da bagunça e da sujeira, como se isso fosse normal. Não é.

4 – Indignidade

Um dia aparece uma casinha assim, no meio do nada, embaixo da ponte, na calçada. De repente aquilo vira uma favela enorme e a gente nem percebeu como ela foi crescendo. O mesmo aconteceu no prédio que virou cortiço, na praça que virou dormitório, na marquise que virou abrigo. Na hora a gente sente pena, sente medo, sente raiva. Depois chega em casa, se tranca e esquece o assunto. A gente acaba achando normal que as pessoas possam viver de forma tão precária. Não é.

5 – Sujeira

Às vezes a gente vê um monte de lixo acumulado em algum lugar e joga o nosso lixo em cima do que já está lá. Pode até ser no meio da rua, num córrego, num terreno baldio. A gente sabe que ali não era pra ser lixo, mas, como já tem um monte, a gente acha que tudo bem jogar mais um pouquinho. Afinal, é melhor do que jogar onde ainda tá limpo, pelo menos a gente não tá sujando ainda mais a cidade. É como se lixo chamasse lixo. Como todo mundo faz isso, parece normal. Mas não é.

6 – Abandono

Claro que a gente sabe que a criança não nasce ruim, que se ela fica ruim é porque tá tudo errado, desde o começo. É o pai que tá desempregado, é a educação que é péssima, a saúde precária, os traficantes em cima, a polícia que não dá conta, enfim, tudo parece que conspira pra levar a criança pra delinquência. Mas quando a gente vê uma criança cometendo um crime, dá tanta raiva que a gente não quer nem saber como as coisas chegaram até aí, a gente só quer que ela pague por isso. Parece que a criança já nasceu assim e pronto, como se isso fosse natural. Não é.

7 – Humilhação

O Brasil foi o último país do mundo a abolir a escravidão. Isso faz pouco mais de 100 anos. Pode parecer muito, mas historicamente não é nada. Ainda ontem os negros eram escravos. Todo mundo se emociona com os filmes, as novelas, os livros que contam essa história. Mas pouca gente se dá conta de que, hoje em dia, ainda tem muita gente que discrimina o preto, o pobre, o feio, o esquisito, o diferente… Muitas vezes a gente vê isso acontecer e não fala nada. E às vezes nem imagina que isso possa ser crime. Mas é.

8 – Violência

O vizinho bate no filho, o amigo bate na mulher. Às vezes até um parente nosso se envolve numa briga boba que termina mal… É difícil lidar com isso, a gente tem medo de denunciar, acaba não falando nada, não fazendo nada. Às vezes a gente até sente alívio porque dessa vez não foi tão grave, comparada com as outras… A gente acha menos grave porque é tão absurdo e violento o que se vê por aí que acaba achando quase normal uma pessoa bater em outra. Não é.

9 – Constrangimento

Sabe aquele cara que acha que pode mexer com a mulherada no ônibus? Ou o universitário que dá trote, a torcida organizada que faz barbaridades, o policial que abusa da autoridade, o filhinho de papai que queima o mendigo… Às vezes só quando alguém morre numa situação dessas é que a gente se dá conta do absurdo que é as pessoas agirem assim, como se fossem melhores que os outros… Parecem até donos do mundo. Mas não são.

10 – Intolerância

Tem gente que gosta de viver de uma maneira que a gente acha errada. Tem gente que acredita piamente em coisas que a gente acha um absurdo. Toda hora a gente tem que conviver com o que a gente não concorda. Difícil é a gente se dar conta de que o outro lado também sente a mesma coisa, também não concorda com a gente, também tem que fazer esforço pra entender e conviver com a gente. Também não deve ser fácil. O que não dá pra entender é a pessoa que parte pra ignorância, como se o seu modo de vida fosse o único certo. Não é.

Disponível em: <http://lopoliti.com/2009/12/11/cronica-da-sexta-reflexoes-sobre-cidadania-em-10-atos/ >


1º A linguagem utilizada no texto é formal ou informal? Justifique com, pelo menos, três exemplos do texto.

2º O que poderia justificar a autora ter escolhido esse nível de linguagem?
 
3º Nenhum texto é desprovido de intencionalidade. Todo e qualquer texto tem o objetivo de transmitir alguma mensagem ao leitor, mesmo que não tão explícita. Na crônica lida, qual seria a mensagem que a autora busca transmitir ao leitor? Explique.

 
Releia o período a seguir para responder às questões 4, 5 e 6:
Se aparece um buraco no meio da rua, a gente desvia”

4º Esse período é composto por duas orações. Separe e classifique-as.

 
5º Entre essas duas orações, há uma relação de subordinação, ou seja, uma dependência sintática. Qual das duas orações é a subordinada? Qual é a sua classificação?

 
6º O tipo de oração subordinada presente do período exposto costuma ser usado, em contextos mais informais, na forma reduzida com o verbo no gerúndio. Reescreva o período, passando a oração subordinada para a forma reduzida de gerúndio.

 
7º Releia o seguinte trecho: “Quando a gente se dá conta já está vivendo no meio da bagunça e da sujeira [...]”
Transcreva e classifique a oração subordinada presente no período.

 
8º Há um problema em relação à pontuação no período da questão anterior. Diga qual é e JUSTIFIQUE.

 
Considere o trecho: “Afinal, é melhor do que jogar onde ainda tá limpo”.

9º Escreva e classifique a oração subordinada adverbial presente no período acima. (na verdade, há duas. Basta uma para atender a questão)


10º Que palavra nesse mesmo período é típica da linguagem oral? Reescreva-a, passando para a linguagem 

terça-feira, 12 de abril de 2011

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Aprenda a chamar a polícia - 'Luís Fernando Veríssimo'

OBS.: Não sei se a autoria é mesmo de Luís Fernando Veríssimo

Aprenda a chamar a polícia...
Eu tenho o sono muito leve, e numa noite dessas notei que havia alguém andando sorrateiramente no quintal de casa.
Levantei em silêncio e fiquei acompanhando os leves ruidos que vinham la de fora, até ver uma silhueta passando pela janela do banheiro. Como minha casa era muito segura, com grades nas janelas e trancas internas nas portas, não fiquei muito preocupado mas era claro que eu não ia deixar um ladrão ali, espiando tranquilamente.
Liguei baixinho para a polícia informei a situação e o meu endereço.
Perguntaram- me se o ladrão estava armado ou se já estava no interior da casa. Esclareci que não e disseram-me que não havia nenhuma viatura por perto para ajudar, mas que iriam mandar alguém assim que fosse possível.
Um minuto depois liguei de novo e disse com a voz calma:
- Oi, eu liguei há pouco porque tinha alguém no meu quintal. Não precisa mais ter pressa. Eu já matei o ladrão com um tiro da escopeta calibre 12, que tenho guardada em casa para estas situações. O tiro fez um estrago danado no cara!
Passados menos de três minutos, estavam na minha rua cinco carros da polícia, um helicóptero, uma unidade do resgate , uma equipe de TV e a turma dos direitos humanos, que não perderiam isso por nada neste mundo.
Eles prenderam o ladrão em flagrante, que ficava olhando tudo com cara de assombrado. Talvez ele estivesse pensando que aquela era a casa do Comandante da Polícia.
No meio do tumulto, um tenente se aproximou de mim e disse:
- Pensei que tivesse dito que tinha matado o ladrão.
Eu respondi:
- Pensei que tivesse dito que não havia ninguém disponível.
(Luís Fernando Veríssimo)

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Questão de prova - interpretação e ambiguidade


1) Considere para esta questão a tirinha a seguir (site Will Tirando):


a) O que a personagem quis dizer com “não é ‘mentira’?”
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b) Pelo comportamento linguístico da primeira personagem no último quadrinho, qual foi a interpretação dada por ele à fala do outro?
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c) De que forma a fala do quinto quadrinho poderia ser reescrita para evita a ambigüidade?
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2) Explique a ambiguidade presente nas frases abaixo e reescreva-as de forma a eliminar o duplo sentido:
a) Crianças que recebem leite materno frequentemente são mais sadias.
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b) Aquela senhora encontrou o garotinho em seu quarto.
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c) O garoto comprou balas no morro
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d) O cachorro enterrou os ossos  que encontrou no jardim.
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e) Há um ano comprei uma casa com um vistoso portão, que venderei agora.
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quinta-feira, 7 de abril de 2011

A linguagem Jornalística

Características da linguagem jornalística:

a) é composta de palavras, expressões passíveis na variedade linguística do dia-a-dia e aceitas no registro formal;
b) é objetiva e mais denotativa do que conotativa (raros usos de sentido figurado, metáfora, etc.);
c) é empática. Tenta projetar no leitor os sentimentos dos envolvidos na notícia;
d) é convencional, arbitrária: o jornalista faz suas opções lingüísticas;
e) é referencial - foco na informação;
f) é imparcial (relativamente). Não contém expressões que denunciem a opinião do autor;
g) é predominantemente narrativa. Carregada de verbos de ação.
Obs.: a escolha entre a voz ativa ou passiva depende do destaque que se quer dar.
Ex.: Um ex-aluno transtornado entrou em uma escola em Realengo e atirou em vários jovens. (voz ativa - foco maior no praticante da ação)
Vários jovens de uma escola em Realengo foram baleados por um ex-aluno transtornado. (voz passiva - foco maior em quem sofreu a ação)

Características do estilo jornalístico:

a) uso de frases curtas, predominantemente;
b) uso de frases simples, evitar orações complexas;
c) evitar intercalação excessiva (apostos, travessões, parênteses), pois torna as frases mais complexas;
d) evitar locuções verbais com mais de dois verbos (ex.: vinha deixando de fazer);
e) uso da ordem direta da língua; (SUJEITO + VERBO + COMPLEMENTOS E ADJUNTOS ADV.)
Ex.: ("Vários manifestantes ocuparam a praça da cidade no último domingo", e NÃO "ocuparam a praça da cidade vários manifestantes no último domingo)
f) evitar ambigüidade;
g) uso de repetições, não excessivas, que contribuam para a percepção e a memorização das informações do texto.

EXEMPLO DE TEXTO JORNALÍSTICO

Sexta - 08/04/11 11h00, atualizado em 08/04/11 11h03

Seis pessoas são presas com mais de 200 pedras de crack em Garanhuns

Três dos suspeitos foram presos na Cohab II, com dez pedras de crack, um cachimbo e R$ 100; os outros estavam no bairro Heliópolis, com 260 pedras da mesma droga e R$ 225

Da Redação do pe360graus.com
Três homens e três mulheres foram presos, na manhã desta sexta-feira (08), em Garanhuns, no Agreste, acusados de tráfico de drogas. Com o grupo, foram apreendidas mais de 200 pedras de crack e dinheiro.

Dos seis suspeitos, três foram presos na Cohab II, com dez pedras de crack, um cachimbo e R$ 100. As outras três estavam no bairro Heliópolis, com 260 pedras da mesma droga e R$ 225.

Os acusados serão ouvidos na Delegacia Regional de Garanhuns. As três mulheres vão ser encaminhadas à Colônia Penal Feminina, em Buíque, e os três homens, à Cadeia de Garanhuns.


Note-se que domina a voz passiva (foram presos / vão ser encaminhadas etc.). Assim, por exemplo, em "foram apreendidas 200 pedras de crack", o destaque não é para quem apreendeu, e, sim, para o que foi apreendido.
A expressão "vão ser" se aproxima um pouco da informalidade, mas ainda é aceita pela norma culta, como falado nas características da linguagem jornalística.
Praticamente todas as sentenças estão na ordem direta (SUJEITO + VERBO + COMPLEMENTOS)
O texto dá prioridade à informação, sem demonstrar opinião.

Por hoje é só!

Abraços
Diogo Xavier

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