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A língua é uma das minhas maiores paixões - seja no campo da linguística seja relativa ao paladar. Este blog está centrado na primeira opção, mas de tudo um pouco pode ser encontrado aqui: leituras deleite, dicas, tira-dúvidas, análises linguísticas e tópicos de gramática normativa, curiosidades, humor e muito mais. Está esperando o quê?! Professor Diogo Xavier

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sábado, 19 de junho de 2010

A todos os professores e alunos - un poquito de tanta verdad

Assisti recentemente a um documentário que, além de chocar bastante, me fez refletir bastante sobre muitas e muitas coisas. O título do documentário é "Un poquito de tanta verdad", e mostra eventos ocorridos em 2006 no estado de Oaxaca, no México (leia-se oarraca) (a capital possui o mesmo nome, segundo o Wikipédia). Todo um conflito entre população e o governo de Ulises Ruiz se iniciou com uma greve dos professores por melhores condições de trabalho e salário. Daí o povo tomou rádios, que foram destruídas ou recuperadas à força pelo governo. O que mais choca é que, no século XXI, ainda ocorram tanta repressão explícita sobre o povo. Além disso, a manipulação das informações pela mídia é absurda e gritante, nos fazendo refletir sobre a nossa "digníssima" impressa. A prova é tal que pouco se soube ou sabe a respeito dos ocorridos em Oaxaca; só houve uma certa repercussão quando um jornalista americano foi morto pela polícia estadual.



Cito um artigo do Wikipédia que diz que:
Desde Maio de 2006, o povo do Estado de Oaxaca, México, vive dias de insurreição e organização popular por melhores condições sociais. Em contrapartida, também é o cenário de um estado de violência e repressão política, que já resultou em muitos feridos e mortos.

O início deste processo data de 22 de maio, durante manifestações de professores que exigiam aumentos salariais e melhores condições de ensino, entre elas uma marcha de 70 mil pessoas. Em resposta à reivindicação da categoria, o governador Ulises Ruiz Ortiz adotou a tática da repressão contra os professores. No dia 14 de junho, a polícia desempenhou uma ação contra os manifestantes que acampavam no centro da cidade de Oaxaca.

A ação policial causou indignação no povo de Oaxaca. Camponeses, indígenas e diversos outros setores da sociedade aderiram aos protestos. A partir daí, foi formada a Assembléia Popular dos Povos de Oaxaca (APPO), composta inicialmente por mais de 340 organizações, e que ocupa as ruas da cidade por causas de âmbito bem mais amplo que as iniciais reivindicações dos professores. O povo tem ido às ruas, levantado barricadas para proteger-se da Polícia Federal Preventiva (PFP) e manter a ocupação popular. Manifestações têm sido realizadas com participação de centenas de milhares de pessoas. Dentre as causas, o povo exige principalmente a destituição de Ulises Ruiz do cargo de governador.
A APPO reivindica que Oaxaca seja gerida pelo próprio povo, através de assembléias populares.

Durante os ataques contra as movimentações dos povos de Oaxaca, o ativista do Centro de Mídia Independente de Nova Iorque, Bradley Roland Will, foi morto, atingido com um tiro no peito quando filmava o ataque de grupos paramilitares contra populares oaxaquenhos.

O presidente mexicano Vicente Fox e o governador Ulises Ruiz estão enviando milhares de policiais para restituir o poder estatal

Para mais informações, acessem: http://www.radiolivre.org/node/3214

Confira o documentário no Youtube (em 9 partes): http://www.youtube.com/results?search_query=un+poquito+de+tanta+verdad&aq=f

 Ou compre o documentário aqui: http://www.corrugate.org/videos/online_video_purchase

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Figuras de linguagem - comparação e metáfora

Hoje decidi falar a respeito de duas figuras de linguagem bastante simples, mas que podem causar certa confusão, ora pela semelhança ora pela sutileza de alguns de seus usos.

A priori, devemos conceituar Figura de Linguagem. Para tal, peço licença a Cegalla (Nova Minigramática da Língua Portuguesa, 2008) para citá-lo. O conceito é sucinto, por isso o coloco aqui:
"Figuras de Linguagem, também chamadas Figuras de Estilo, são recursos especiais de que se vale quem fala ou escreve, para comunicar à expressão mais força e colorido, intensidade e beleza." [Eu trocaria "comunicar à expressão" por CONFERIR À EXPRESSÃO, para tornar mais claro o enunciado]

Prosseguindo, então, vamos aos conceitos e exemplos:

  • COMPARAÇÃO: consiste na aproximação de duas ideias diferentes em uma característica comum a ambas, por meio de nexos comparativos (tal qual, tal, como, etc.). Ex.: Ele é tão alto quanto um arranha-céu. (característica comum: altura).
  •  METÁFORA: é também uma aproximação de dois elementos em uma característica comum , porém sem o uso de termos comparativos. Ex.: Ele é uma girafa. (característica comum: altura).
OBS.: Nem sempre a metáfora acontece em predicados nominais (sujeito - verbo de ligação - predicativo), como vem em exemplos na gramática (o amor é um fogo que arde sem doer).
Em outros casos, a metáfora vem na forma que conhecemos mais por linguagem conotativa, ou sentido figurado.
Ex.: Levou uma punhalada nas costas. Há aí dois elementos sendo comparados em um elemento comum, porém difíceis de serem identificados. No exemplo dado, o elemento comum é a traição ou a covardia típica de quem apunhala por trás.
OBS.2: A ocorrência da metáfora em determinada estrutura depende do contexto: 
"Em 1800, x por cento dos negros eram escravos." Levando em consideração estar  sendo usado o sentido denotativo da palavra, não há metáfora.
"Sou escravo do meu chefe." Há metáfora.
Vamos, agora, ilustrar:

Girassol – Ira

Eu tento me erguer
Às próprias custas
E caio sempre nos seus braços
Um pobre diabo é o que sou...        METÁFORA

Um girassol sem sol                         METÁFORA
Um navio sem direção                     METÁFORA
Apenas a lembrança
Do seu sermão...

Você é meu sol                                 METÁFORA
Um metro e sessenta e cinco
De sol
E quase o ano inteiro
Os dias foram noites                       
METÁFORA
Noites para mim...

Meu sorriso se foi
Minha canção também
Eu jurei por Deus
Não morrer por amor
E continuar a viver...

Como eu sou um girassol            METÁFORA (COMPARAÇÃO seria: eu sou como girassol)
Você é meu sol...(3x)
               
(...)

Sou agora
Um frágil cristal                             
METÁFORA
Um pobre diabo                             METÁFORA
Que não sabe esquecer
Que não sabe esquecer...



Desencanto - Manuel Bandeira

                         Eu faço versos como quem chora  COMPARAÇÃO
De desalento... de desencanto...
Fecha o meu livro, se por agora
Não tens motivo nenhum de pranto.

                      Meu verso é sangue. Volúpia ardente...  METÁFORA
Tristeza esparsa... remorso vão...
Dói-me nas veias. Amargo e quente,
Cai, gota a gota, do coração.

E nestes versos de angústia rouca,
Assim dos lábios a vida corre,
Deixando um acre sabor na boca.
                      - Eu faço versos como quem morre. COMPARAÇÃO

Até a próxima!!!

Diogo Xavier


tags: figuras de linguagem, metáfora, comparação, música, poesia, estilística.

Língua e Idioma



Achei muito interessante e relevante postar aqui essa tirinha de Calvin. As tirinhas de Calvin são sempre interessantes, pois mostram a inocência pueril em muitos aspectos, a praticidade que só uma criança, ainda livre de muitas convenções sociais, pode ter.
A tirinha em questão me chamou mais antenção por tratar de um conceito muito importante e que deveria ser sempre lembrado nas aulas de Língua Portuguesa: variação linguística.

Podemos fazer a análise da tirinha - da frase do último quadrinho, para ser mais específico - de duas formas: uma leva em consideração somente o seu conteúdo, outra, os conceitos de língua e variação linguística.

Em primeiro lugar, vamos ver alguns conceitos que o dicionário Eletrônico Houaiss nos traz:
Língua:
5. Rubrica: línguística
sistema de representação constituído por palavras e por regras que as combinam em frases que os indivíduos de uma comunidade lingüística usam como principal meio de comunicação e de expressão, falado ou escrito.
5.1. (sXV) Uso: sentido absoluto.
o idioma nacional
7. Rubrica: lingüística.
estilo de expressão particular a um grupo social, profissional ou cultural; linguagem

 Idioma: 
3. Uso: sentido absoluto.
para os falantes de uma língua nacional, sua própria língua; vernáculo.
A língua própria de um povo, de uma nação

De uma maneira geral, usamos mais língua para indicar o que fala um povo, uma tribo urbana, algo relativo a uma unidade cultural. Já idioma é mais usado num sentido geopolítico: o idioma do Brasil, o idioma da Holanda, etc.

Na primeira análise, podemos entender que Calvin diz que ambos - ele e sua mãe - falam o mesmo idioma - o português -; porém a ideia que os dois têm de lanche é bastante diferente. Ou seja, é uma diferença de pensamentos.

Já se analisarmos o enunciado de Calvin numa ótica linguística, podemos interpretar que tanto ele quanto a mãe têm o português como língua materna, entretanto utilizam variedades linguísticas diferentes, com o uso de palavras e expressões próprias.

NOTA DE ESCLARECIMENTO - fundo preto e letras claras

NOTA DE ESCLARECIMENTO

Eis alguns dados retirados do site pretog.com:
Você sabia?

  • Para exibir uma tela inteira branca, seu computador usa cerca de 74 watts, enquanto para mostrar uma preta o consumo é de 59 watts.

  • O excesso de luminosidade produzida por um fundo totalmente branco é muito mais prejudicial aos olhos que um fundo totalmente preto.


    Além disso, no ECOPLANET.COM é possível verificar que a economia de energia chega a 20%.

    "Economizar energia é uma forma de ajudar o planeta uma vez que para geração de eletricidade incorre-se no alagamento de grandes áreas (hidrelétricas), poluição do ar com queima de combustíveis (termoelétricas), produção de lixo atômico (usinas nucleares), dentre outros problemas ambientais. Soma-se a isso o fato de que o eco4planet pode gerar menor cansaço visual ao visitante se comparado a uma página predominantemente branca."


     Em vista dos dados citados, vamos, em nossas postagem, utilizar fundo escuro sempre que possível. Pequenas ações fazem a diferença. Peço, portanto, a compreensão dos usuários para que se acostumem que essa nova forma de postagem. A vista inicialmente estranha essa mudança, mas depois torna-se benéfica a ela.


    Abraços

    Diogo Xavier

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