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A língua é uma das minhas maiores paixões - seja no campo da linguística seja relativa ao paladar. Este blog está centrado na primeira opção, mas de tudo um pouco pode ser encontrado aqui: leituras deleite, dicas, tira-dúvidas, análises linguísticas e tópicos de gramática normativa, curiosidades, humor e muito mais. Está esperando o quê?! Professor Diogo Xavier

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sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Questões de concurso - PM/PE 2009

Hoje vamos comentar algumas questões de língua portuguesa do concurso da PM de Pernambuco, cujas provas foram aplicadas no dia 22/11/2009.

Questão 24. Anteponha aos períodos C ou E, consoante a concordância nominal esteja Certa ou Errada.

(     ) Os documentos anexo devem ser guardados no armário à direita, pois são sigilosos.
(     ) Apresento a você meu certificado de reservista, pois estou quites com o serviço militar.
(     ) Exceto os dois policiais, todos foram presos como suspeitos.
(     ) Encontrou, no lago, meio submersa a sapatilha de couro.

A sequência obtida foi a seguinte:
A) C – C – C – C.
B) C – E – E – C.
D) E – E – C – C.
C) E – C – C – E.
E) C – C – E – C.

Questão 25. Considerando a norma culta da língua portuguesa sobre a regência verbal, analise as afirmativas abaixo.

I. Haviam muitos problemas para resolver.
II. Hão de existir leis que protejam os mais fracos de fé.
III. Hão de haver leis que protejam os mais fracos.
IV. Podem haver seres viventes em outros planetas.

Houve falhas de regência verbal nas afirmativas

A) I, III e IV, apenas.
B) I e IV, apenas.
D) III e IV, apenas.
C) II, III e IV, apenas.
E) II e IV, apenas.

Questão 29. Viajando pela BR 232, são encontradas várias placas de sinalização. Analise-as quanto ao uso da crase.
 
REDUZA À VELOCIDADE
ENTRADA E SAÍDA DE CAMINHÕES A 3M
DESVIO À ESQUERDA

Está(ão) CORRETA(S)

A) 1, 2 e 3.
B) 2 e 3, apenas.
D) 3, apenas.
C) 2, apenas.
E) 1 e 3, apenas.



COMENTÁRIOS

Questão 24 - A questão pede que analisemos as sentenças quanto à concordância nominal. Vejamos:
ERRADA - Os documentos anexo devem ser guardados no armário à direita, pois são sigilosos. A palavra em questão é ANEXO. Nesse caso, ela está atribuindo uma característica, provavelmente provisória, ao substantivo DOCUMENTOS, assim concluímos que anexo é adjetivo e, como tal, deve concordar em gênero e número com a palavra caracterizada. Feitas as considerações, assim ficaria adequada a frase: Os documentos anexos devem... Se, por exemplo, a expressão fosse EM ANEXO, de fato ela seria invariável, pois se trata de uma preposição e um substantivo, exercendo a função de adjunto adverbial, mas não poderia estar caracterizando um substantivo, já que essa não é a função do adjunto adverbial. Ex. Os documentos que estão em anexo... Nesse caso em anexo está acrescentando circunstância de lugar ao verbo (estão).
ERRADA- Apresento a você meu certificado de reservista, pois estou quites com o serviço militar. A palavra quite é um adjetivo, acrescentando uma característica ao pronome pessoal EU, que está oculto e identificável pela desinência dos verbos (EU apresento, EU estou). Como já foi dito, adjetivo concorda com o substantivo que ele caracteriza (nesse caso, o pronome está exercendo a função de substantivo). Considerando a concordância, a frase seria: ... pois estou quite com... Se o sujeito fosse ELES, por exemplo, aí sim: eles estão quites com...
CORRETA - Exceto os dois policiais, todos foram presos como suspeitos. A palavra EXCETO é preposição, portanto não varia. Todas as outras palavras estão concordando com o sujeito TODOS (presos, suspeitos). Não há, dessa forma, o que alterar na frase.
CORRETA - Encontrou, no lago, meio submersa a sapatilha de couro. Nessa frase, a expressão que pode causar dúvidas é MEIO SUBMERSA. ABRE PARÊNTESES. (Já é tradição os professores de cursinhos falarem: meio, quando é advérbio é invariável; quando é adjetivo, concorda com o termo caracterizado. Acontece que MEIO quando quer dizer METADE é NUMERAL, fracionário, para ser mais específico. É claro que, ao acompanhar um nome, ele funciona como se fosse um adjetivo, mas devemos enquadrá-lo na classe gramatical dos numerais.) FECHA PARÊNTESES. Como a palavra meio não está indicando metade, e, sim, acrescentando uma circunstância de intensidade ao adjetivo submersa, ela é invariável, pois funciona como advérbio. A expressão seria numeral e, portanto, variável se a frase fosse, por exemplo: Encontrou, no lago, meia sapatilha de couro submersa. Meia está indicando metade do substantivo sapatilha.
RESPOSTA: D

Questão 25 - A questão afirma tratar de regência verbal, mas eu acredito estar mais relacionada à concordância verbal. ATENÇÃO: a questão pergunta ONDE HOUVE FALHAS, e não quais estão corretas.
I. Haviam muitos problemas para resolver. O verbo haver, no sentido de existir, é impessoal e, portanto, invariável. A forma adequada seria: Havia muitos problemas...
II. Hão de existir leis que protejam os mais fracos de fé. Neste caso, o verbo haver está sendo usado como auxiliar para indicar tempo futuro. É interessante observar a formação do tempo futuro no português. Do mesmo jeito que a expressão "hão de existir" indica futuro, com o tempo o auxiliar haver se incorporou ao verbo e se tornou flexão de tempo futuro. Observe: hão de existir -> de existir hão -> existirão. O verbo haver, auxiliando para indicar tempo futuro, é variável. A frase está correta.
III. Hão de haver leis que protejam os mais fracos. Esse caso é mais delicado: temos duas informações, a de que o haver indicando tempo futuro varia e a de que haver no sentido de existir não varia. A frase contém, unidos, as duas ocorrências. Qual "regra", então, predomina? A do haver impessoal. Numa locução verbal qualquer em que o haver (no sentido de existir) seja o verbo principal (há de haver, deve haver, vai haver, pode haver), a impessoalidade do verbo haver passa também para o verbo auxiliar, devendo os dois permanecer no singular: Há de haver leis que protejam os mais fracos.
IV. Podem haver seres viventes em outros planetas. Como já foi observado, o haver passar a impessoalidade para o auxiliar: Pode haver seres viventes...
RESPOSTA: A

Questão 29 - A questão pede para analisar as frases quanto ao uso da crase.
REDUZA À VELOCIDADE - Errado. O verbo reduzir é transitivo direto e, como tal, seu complemento não é regido por preposição. O único A presente na frase é o artigo que antecede o substantivo velocidade - não há, então, crase.
ENTRADA E SAÍDA DE CAMINHÕES A 3M - Correto. Diante de números cardinais não se usa artigo, portanto o único A da frase é uma preposição.
DESVIO À ESQUERDA - Correto. A expressão à esquerda funciona como locução adverbial de lugar. Por uma questão de clareza e para evitar ambiguidade, toda locução adverbial FEMININA antecedida da preposição A, é acentuada com o acento grave. A lógica da formação de crase não vale para esse caso, pois, repito, é um caso de clareza. Se eu disser por exemplo: corto a navalha, dá a entender que estou fazendo um corte na navalha, funcionando a expressão como complemento verbal. Se a minha intenção é dizer que corto alguma coisa com o uso de uma navalha, será preciso usar o acento indicativo de crase para deixar claro que a expressão é um adjunto adverbial (de instrumento, no caso). A regra não vale para adjuntos adverbiais masculinos, com os quais não há ambiguidade: a pé, a cavalo, a lápis, a fogo, etc.

RESPOSTA - B.

Até a próxima.
         Prof. Diogo Xavier

sábado, 21 de novembro de 2009

NIGUÉM FALA ERRADO

NIGUÉM FALA ERRADO

 Diogo Xavier


Desde o início da Lingüística Moderna, com os estudos de Saussure, a linguagem vem sendo vista como um fenômeno eminentemente social. Porém, o estabelecimento de um campo de estudo enfocando especificamente esse aspecto, a sociolingüística, se deu em 1964. De 11 a 13 maio desse ano, a Universidade da Califórnia em Los Angeles, por iniciativa de William Bright, reuniu 25 pesquisadores para uma conferência sobre o caráter social da linguagem.

Nenhuma língua é uniforme, ela muda com o passar do tempo e varia geográfica e socialmente. A respeito disso, Calvet (2002) diz:

(...) pode-se perceber numa língua, continuamente, a coexistência de formas diferentes de um mesmo significado. Essas variáveis podem ser geográficas: a mesma língua pode ser pronunciada diferentemente, ou ter um léxico diferente em diferentes pontos do território. (...) Mas essas variáveis podem também ter um sentido social, quando, em um mesmo ponto do território uma diferença lingüística é mais ou menos isomorfa de uma diferença social. (CALVET, 2002, p.89-90).

Isso implica dizer que a variação linguística varia numa mesma região conforme as classes sociais. E qual é a classe social que domina a variedade de prestígio, considerada a “única correta”? A classe dominante, a elite cultual e econômica.

Segundo Possenti, (apud Faraco; Tezza, 2005, p.16), para quem pretende ter uma visão adequada do fenômeno da linguagem, dois fatos devem ser levados em conta: “a) todas as línguas variam, isto é, não existe nenhuma sociedade ou comunidade na qual todos falem da mesma forma; b) a variedade lingüística é o reflexo da variedade social e, como em todas as sociedades existe alguma diferença de status ou de papel entre indivíduos ou grupos, essas diferenças se refletem na língua.”. Se em nenhuma comunidade ou sociedade as pessoas falam da mesma forma, por que devemos considerar uma ou outra forma de falar errada, incorreta? Não devemos. Todas as formas de falar são válidas e cumprem sua função de comunicar, dentro do contexto adequado. Num país de dimensões imensas como o Brasil, as pessoas já deveriam saber o valor e a importância da diferença, seja ela linguística, étnica, religiosa, entre muitas outras.

As diferenças sociais, assim como as lingüísticas, geram o preconceito. Para Bagno (2003), o preconceito lingüístico é uma forma do preconceito social. “Se discriminar alguém por ser negro, índio, pobre, nordestino, mulher, deficiente físico, homossexual, etc. já começa a ser considerado ‘publicamente inaceitável’, (...) fazer essa mesma discriminação com base no modo de falar da pessoa é algo que passa com muita ‘naturalidade’.” (BAGNO, 2003, p.16). Uma pessoa que discrimina um negro, um pobre ou uma mulher, por exemplo, é fortemente repreendida na sociedade atual. Isso é um grande avanço rumo ao fim do preconceito. Porém, como Bagno citou, se um indivíduo discrimina outro pela sua forma de falar, que é decorrente de sua classe social, ela está, de forma mais ou menos indireta, discriminando a própria classe social da pessoa atingida.

Os Parâmetros Curriculares Nacionais, publicados pelo Ministério da educação, reconhecem a existência do preconceito lingüístico e os prejuízos que acarreta na sala de aula:

O problema do preconceito disseminado na sociedade em relação às falas dialetais deve ser enfrentado, na escola, como parte do objetivo educacional mais amplo de educação para o respeito à diferença. Para isso, e também para poder ensinar Língua Portuguesa, a escola precisa livrar-se de alguns mitos: o de que existe uma única forma “certa” de falar ─ a que parece com a escrita ─ e o de que a escrita é o espelho da fala ─ e, sendo assim, seria preciso “consertar” a fala do aluno para evitar que ele escreva errado. Essas duas crenças produziram uma prática de mutilação cultural que, além de desvalorizar a forma de falar do aluno, tratando sua comunidade como se fosse formada por incapazes, denota desconhecimento de que a escrita de uma língua não corresponde inteiramente a nenhum de seus dialetos, por mais prestígio que um deles tenha em um dado momento histórico. (PARÂMETROS CURRICULARES NACIONAIS, 2000, p.31).

Assim, “todas as sentenças produzidas pelos falantes de uma língua são bem formadas, independentemente de serem próprias da chamada língua-padrão ou de outras variedades.” (BORTONI-RICARDO, 2004, p.71). Marcos Bagno defende que à escola cabe “levar os alunos a se apoderar também das regras lingüísticas que gozam de prestígio, a enriquecer o seu repertório lingüístico, de modo a permitir a eles o acesso pleno à maior gama possível de recursos para que possam adquirir uma competência comunicativa cada vez mais ampla e diversificada ─ sem que nada disso implique a desvalorização de sua própria variedade lingüística.” (apud Bortoni-Ricardo, 2004, p.9). Por esse motivo é importante e essencial que o aluno aprenda a variedade culta, da elite, mas sem esquecer a variedade que ele aprendeu em casa, na rua ou nos recreios da escola. A competência comunicativa é o que permite ao falante “saber qual forma de fala utilizar, considerando as características do contexto de comunicação, ou seja, saber adequar o registro às diferentes situações comunicativas. É saber coordenar satisfatoriamente o que falar e como fazê-lo, considerando a quem e por que se diz determinada coisa.” (PARÂMETROS CURRICULARES NACIONAIS, 2000, p.31-32).

O ensino da Língua Portuguesa também tem o papel de lutar contra as dominações sociais. Com isso, o domínio da norma de prestígio deve possibilitar aos falantes das camadas populares a chance de lutar pela cidadania com os mesmos instrumentos que possuem os que pertencem às camadas sociais privilegiadas. Para Magda Soares, o indivíduo deve aprender a norma de prestígio “não para adaptar-se à sociedade, mas para lutar contra ela, para adquirir essa arma que os dominantes têm e que é poderosíssima. (...) um instrumento de luta contra a discriminação social, um instrumento que permita ao indivíduo a participação política.” (apud Faraco; Tezza, 2005, p.69).

Tal perspectiva, ancorada no referencial teórico que acabamos de expor, fornece o contexto de valores e de instrumentos conceituais dentro do qual devemos desenvolver nossa prática de ensino da Língua Portuguesa.

Referências:

CALVET, Louis-Jean. Sociolingüística: uma introdução crítica. São Paulo: Parábola, 2002.

POSSENTI, Sírio. Não existem línguas uniformes. In FARACO, Carlos Alberto; TEZZA, Cristovão. Prática de Texto para estudantes universitários. 13ª ed. Petrópolis: Vozes, 2005.

BAGNO, Marcos. A norma Oculta: língua, poder na sociedade brasileira. São Paulo: Parábola, 2003.

SOARES, Magda Becker. O povo não fala errado. In FARACO, Carlos Alberto; TEZZA, Cristovão. Prática de Texto para estudantes universitários. 13ª ed. Petrópolis: Vozes, 2005.

Ministério da educação/Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros Curriculares Nacionais: língua portuguesa. 2ª ed. Brasília: MEC, 2000.

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

UM CÃO, APENAS - Cecília Meireles

UM CÃO, APENAS

Subidos, de ânimo leve e descansado passo, os quarenta degraus do jardim - plantas em flor de cada lado; borboletas incertas; salpicos de luz no granito -, eis-me no patamar. E a meus pés, no áspero capacho de coco, à frescura da cal do pórtico, um cãozinho triste interrompe o seu sono, levanta a cabeça e fita-me. É um triste cãozinho doente, com todo o corpo ferido; gastas, as mechas brancas do pêlo; o olhar dorido e profundo, com esse lustro de lágrima que há nos olhos das pessoas muito idosas. Com um grande esforço acaba de levantar-se. Eu não lhe digo nada; não faço nenhum gesto. Envergonha-me haver interrompido o seu sono. Se ele estava feliz ali, eu não devia ter chegado. Já que lhe faltavam tantas coisas, que ao menos dormisse: também os animais devem esquecer, enquanto dormem...

Ele, porém, levantava-se e olhava-me. Levantava-se com a dificuldade dos enfermos graves: acomodando as patas da frente, o resto do corpo, sempre com os olhos em mim, como à espera de uma palavra ou de um gesto. Mas eu não o queria vexar nem oprimir. Gostaria de ocupar-me dele: chamar alguém, pedir-lhe que o examinasse, que receitasse, encaminhá-lo para um tratamento... Mas tudo é longe, meu Deus, tudo é tão longe. E era preciso passar. E ele estava na minha frente inábil, como envergonhado de se achar tão sujo e doente, com o envelhecido olhar numa espécie de súplica.

Até o fim da vida guardarei seu olhar no meu coração. Até o fim da vida sentirei esta humana infelicidade de nem sempre poder socorrer, neste complexo mundo dos homens.

Então, o triste cãozinho reuniu todas as suas forças, atravessou o patamar, sem nenhuma dúvida sobre o caminho, como se fosse um visitante habitual, e começou a descer as escadas e as suas rampas, com as plantas em flor de cada lado, as borboletas incertas, salpicos de luz no granito, até o limiar da entrada. Passou por entre as grades do portão, prosseguiu para o lado esquerdo, desapareceu.

Ele ia descendo como um velhinho andrajoso, esfarrapado, de cabeça baixa, sem firmeza e sem destino. Era, no entanto, uma forma de vida. Uma criatura deste mundo de criaturas inumeráveis. Esteve ao meu alcance; talvez tivesse fome e sede; e eu nada fiz por ele; amei-o, apenas, com uma caridade inútil, sem qualquer expressão concreta. Deixei-o partir, assim humilhado, e tão digno, no entanto, como alguém que respeitosamente pede desculpas de ter ocupado um lugar que não era seu.

Depois pensei que nós todos somos, um dia, esse cãozinho triste, à sombra de uma porta. E há o dono da casa, e a escada que descemos, e a dignidade final da solidão.

(MEIRELES, Cecília. ILUSÕES DO MUNDO: CRÔNICAS. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1982, p. 16-17)
 
PROSA - CECÍLIA MEIRELES - LITERATURA - UM CÃO APENAS

terça-feira, 17 de novembro de 2009

REDAÇÃO - Enem e outros vestibulares

Devido à proximidade das provas de vestibulares por todo o país, além do Enem, farei algumas considerações a respeito das provas de redação.
Vou mostrar os principais aspectos gerais observados nas redações dissertativas em geral (dissertação e carta argumentativa):

Aspecto estético


a) legibilidade da letra - Letra ilegível atrapalha o entendimento do texto. Tanto letra de forma como cursiva são permitidas, devendo haver o cuidado de diferenciar bem as maiúsculas e minúsculas e não misturar estilos de letra.
b) paragrafação - O texto propriamente dito divide-se em três partes logicoestruturais: introdução, desenvolvimento e conclusão. Essa divisão é evidenciada pelos parágrafos, que por sua vez são marcados por um deslocamento de 1 ou 2 cm em sua primeira linha.
c) margens regulares - O texto deve ficar o mais próximo possível das margens esquerda e direita, não ficando muito antes nem ultrapassando.
d) ausência de rasuras - Deve-se evitar a rasura, que, em alguns casos, pode inclusive anular a prova. Em caso de identificar o erro no momento em que escreve, feche o erro em parênteses e risque uma linha horizontal na metade da altura do espaço entre as linhas.

Aspecto gramatical


a) ortografia - Forma padrão de escrever as palavras.
b) acentuação - Aqui no blog tem as regras de acentuação, além de exercício. É só treinar.
c) concordância - Escrever respeitando as relações de concordância das palavras determinadas pela gramática normativa.
d) pontuação - O uso inadequado da pontuação pode comprometer o conteúdo do texto, causar ambiguidades e ideias confusas.
e) colocação pronominal - A mesóclise está, de certa forma, aposentada no português do Brasil, mas é bom saber quando deve ser usada segundo a gramática normativa: no caso de ser exigida, você escolhe entre usá-la ou mudar a estrutura da oração para que não seja mais necessária. Ex. Resolver-se-ia o problema caso as autoridades investissem... Alternativas: O problema seria resolvido caso... A solução para o problema é que as autoridades invistam... Com o investimento das autoridades em (...) o problema pode ser resolvido...
f) regência - é importante utilizar a preposição adequada para palavras e verbos de acordo com o sentido pretendido.

Aspecto estilístico


a) repetição de palavras - Demonstra pobreza vocabular. Há várias formas de fazer a coesão do texto sem repetir em termos excesso: sinônimos (cachorro - cão, canino), termos genéricos (cão - animal), pronomes, entre outros.
b) períodos longos - Dificultam o endendimento. O período deve ter um tamanho médio, entre 2 e 4 linhas, para que as informações sejam apreendidas com mais facilidade por quem lê.
c) emprego de palavras desnecessárias - Excesso de adjetivos, por exemplo, dá a impressão de encher linguiça. Só use o necessário.
d) uso inadequado de pronomes relativos (onde, quem, que, o qual, cujo, quanto)
e) presença de elementos (conectivos e expressões) típicos da língua falada - Texto formal exige linguagem formal.
f) Emprego repetitivo de palavras como: "que", "porque" e "mas" - Existe uma quantidade imensa de termos conectores e palavras que funcionam como tal. Use e abuse deles.
g) prolixidade - É usar muitas palavras para expressar pouco conteúdo. Na redação isso pode deixar o texto pouco expressivo, pois, apesar do tamanho, poucas ideias são se fato apresentadas.

Aspecto estrutural


Este aspecto é diferenciado para cada redação, principalmente se os gêneros forem diferentes. Na carta argumentativa, por exemplo, é imprescindível a presença do local e da data, do remetente, da expressão de despedida ou fechamento e da assinatura (fictícia).

VALE LEMBRAR QUE A LEITURA, QUALITATIVA E EM QUANTIDADE CONSIDERÁVEL, DE TEXTOS DIVERSOS É ELEMENTO INDISPENSÁVEL PARA QUEM PRETENDE ESCREVER BEM. Apenas ler, porém, não vai torná-lo um bom escritor. É preciso muito treino e muita disposição para pesquisar, perguntar, errar e acertar.

Abraço,
   Diogo Xavier

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