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A língua é uma das minhas maiores paixões - seja no campo da linguística seja relativa ao paladar. Este blog está centrado na primeira opção, mas de tudo um pouco pode ser encontrado aqui: leituras deleite, dicas, tira-dúvidas, análises linguísticas e tópicos de gramática normativa, curiosidades, humor e muito mais. Está esperando o quê?! Professor Diogo Xavier

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quinta-feira, 30 de julho de 2009

Ciclo vicioso ou círculo vicioso

Essa é uma dúvida comum, que até eu ignorava. Eu já usei muito as duas formas. Bem, o professor Hélio Consolaro, que alimenta o site http://www.portrasdasletras.com.br/, diz o seguinte:
O certo é círculo vicioso e não ciclo vicioso. Exemplo: O vaivém das denúncias de corrupção no Brasil já se tornou um círculo vicioso.
Laércio Lutibergue, do blog http://portuguesnarede.blogspot.com/, dá a seguinte explicação:
"Entenda: a expressão refere-se a um fato que, à semelhança de um círculo, dá voltas, retorna ao ponto de saída e não se modifica. Daí o nome "círculo vicioso"."
Por hoje, só.

sexta-feira, 17 de julho de 2009

Os porquês...

Como todos sabem, no português há quatro formas de grafar os porquês. Como na fala a forma é a mesma, não é de se estranhar que haja dúvidas na hora de colocar no papel.

Na revista Superinteressante do mês de março deste ano, na seção Superrespostas, saiu uma matéria com o seguinte título: Por que existem vários jeitos de escrever "por quê"?

Achei muito interessante, sem querer fazer trocadilho com o nome da revista, o diálogo entre dois dedos indicadores (não me perguntem o porquê), contido no final da matéria:
1 - Por que essa cara?
2 - Porque a coisa não está fácil.
3 - Mas por quê?
4 - Perguntas demais! Esse é o porquê.

Vamos, pois, às explicações:

1 - Por que: Usado para introduzir uma pergunta (preposição + pronome interrogativo), quando possui o mesmo sentido de: "por qual razão" ou "por qual motivo". É possível, também, encontrar nas gramáticas que "por que" pode ser utilizado com o sentido de "pelo qual" e suas variações (preposição + pronome relativo). Nesse último caso, é pouco recorrente o uso da expressão "por que".
Ex.
Por que não vieram à nossa festa ontem? (por qual motivo/razão)
Gostaria de saber por que estamos aqui. (por qual motivo/razão)
Esse não é o mesmo caminho por que viemos mais cedo. (pelo qual - pouco usado)

2 - Porque: de maneira geral, é usado para respostas. Pode ser usado como conjunção causal (uma vez que, visto que), explicativa (equivalente a pois - não muito usado) ou final (equivalente a para que - muito pouco usado).
Ex.
Não fomos à festa porque eu estava com enxaqueca. (uma vez que/ visto que)
Ela trabalha muito porque é esforçada. (uma vez que/ visto que)
Saia da chuva, porque você vai adoecer (pois)
Estude muito porque consiga a aprovação (para que)

3 - Por quê: é usado nos mesmos casos de "por que", mas quando o "que" é tônico, ou seja, é pronunciado com mais "força" ou "ênfase" na frase. Quando isso acontece, ele recebe o acento circunflexo. Isso fica evidente antes de um sinal de pontuação.
Ex.
Você não viajou por quê?
Por quê, meu Deus, isso aconteceu com ele?
Vocês brigam demais, por quê?

4 - Porquê: é usado como substantivo, precedido por um artigo (o, um). Tem o sentido de razão, causa ou motivo e pode ser substituído por uma dessas palavras. Também é usado para nomear o conjunto de porquês (por que, porquê, porque e por quê). Nesse caso, não pode ser substituído pelas expressões razão, causa e motivo).
Ex.
Qual é o porquê disso tudo? (motivo, causa, razão)
Quero saber o porquê de eles terem brigado. (motivo, causa, razão)
Isso encerra o nosso estudo dos porquês (por que + por quê + porque + porquê)

Até a próxima,

Diogo Xavier

sábado, 11 de julho de 2009

A gente, nós ou agente?

Não só eu, mas muita gente aprendeu na escola que os pronomes pessoais que servem como sujeito são aqueles do caso reto [eu, tu, ele, nós, vós, eles].
O problema é que quando vemos a língua na prática, sobretudo na oralidade, só são usados com frequência, no Brasil, os pronomes EU, VOCÊ (pron. de tratamento, assim como vossa excelência e senhor, por exemplo), ELE (e suas variações de número e gênero), NÓS (com menos recorrência, dependendo da região) e, principalmente no Norte e no Nordeste, A GENTE - ou AGENTE?
Para alguns pode parecer óbvio, mas convém lembrar que essa última expressão é típica da fala. Não é recomendável seu uso em contexto formal, em especial na escrita formal. Portanto é compreensível que haja dúvida na hora de escrever. Vamos lá:
NÓS: pronome pessoal do caso reto, 1ª pessoa do plural.
A GENTE: é a expressão usada para indicar a 1ª do plural, ou seja, tem o valor de "nós", num contexto menos formal, é claro.
AGENTE: substantivo. O dicionário virtual Houaiss traz 15 significados, mas eu vou exemplificar com os dois primeiros:
"1 que ou quem atua, opera, agencia; 2 que ou quem agencia negócios alheios"

Obs. A expressão "A GENTE", apesar de ter o mesmo significado de "NÓS", não concorda com o verbo da mesma forma. Vejamos:

Nós fomos ao show

A gente foi ao show

Ele/ela foi ao show

Nós estamos cansados

A gente está cansado

Ele está cansado

Reparem que "a gente" concorda com a 3ª pessoa do singular (a gente está/ ele está). Espero ter esclarecido, ao menos um pouco, a dúvida de vocês sobre essas palavras.

A gente se vê!!!

Diogo Xavier

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