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A língua é uma das minhas maiores paixões - seja no campo da linguística seja relativa ao paladar. Este blog está centrado na primeira opção, mas de tudo um pouco pode ser encontrado aqui: leituras deleite, dicas, tira-dúvidas, análises linguísticas e tópicos de gramática normativa, curiosidades, humor e muito mais. Está esperando o quê?! Professor Diogo Xavier

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quarta-feira, 29 de abril de 2009

Aquilo...

Texto de Luís Fernando Veríssimo
AQUILO

— De uns tempos para cá, eu só penso naquilo.
— Eu penso naquilo desde os meus, sei lá, 11 anos.
— Onze anos?
— É. E o tempo todo.
— Não. Eu, antigamente, pensava pouco naquilo. Era uma coisa que não me preocupava. Claro que a gente convivia com aquilo desde cedo. Via acontecer à nossa volta, não podia ignorar. Mas não era, assim, uma preocupação constante. Como agora.
— Pra mim sempre foi. Aliás, eu não penso em outra coisa.
— Desde criança?!
— De dia e de noite.
— E como é que você conseguia viver com isso, desde criança?
— Mas é uma coisa natural. Acho que todo mundo é assim. Você é que é anormal, se só começou a pensar naquilo nessa idade.
— Antes eu pensava, mas hoje é uma obsessão. Fico imaginando como será. O que eu vou sentir. Como será o depois.
— Você se preocupa demais. Precisa relaxar. A coisa tem que acontecer naturalmente. Se você fica ansioso é pior. Aí sim, aquilo se torna uma angústia, em vez de um prazer.
— Um prazer? Aquilo?
— Pra você não sei. Pra mim, é o maior prazer que um homem pode ter. É quando o homem chega ao paraíso.
— Bom, se você acredita nisso, então pode pensar naquilo como um prazer. Pra mim é o fim.
— Você precisa de ajuda, rapaz.
— Ajuda religiosa? Perdi a fé há muito tempo. Da última vez que falei com um padre a respeito, só o que ele me disse foi que eu devia rezar. Rezar muito, para poder enfrentar aquilo sem medo.
— Mas você foi procurar logo um padre? Precisa de ajuda psiquiátrica. Talvez clínica, não sei. Ter pavor daquilo não é saudável.
— E eu não sei? Eu queria ser como você. Viver com a perspectiva daquilo naturalmente, até alegremente. Ir para aquilo assoviando.
— Ah, vou. Assoviando e dando pulinho. Olhe, já sei o que eu vou fazer. Vou apresentar você a uma amiga minha. Ela vai tirar todo o seu medo.
— Sei. Uma dessas transcendentalistas.
— Não, é daqui mesmo. Codinome Neca. Com ela é tiro e queda. Figurativamente falando, claro.
— Hein?
— O quê?
— Do que é que nós estamos falando?
— Do que é que você está falando?
— Daquilo. Da morte.
— Ah.
— E você?
— Esquece.

(Veríssimo, 2002)

segunda-feira, 6 de abril de 2009

Charge


Charges e cartuns são como retratos de fatos e acontecimentos de nossa sociedade. A diferença é que charge tem um "prazo de validade" menor, ou seja, para compreendê-la adequadamente, é preciso saber o que está acontecendo no momento em que ela foi feita. Trata geralmente de temas políticos ou de celebridades. O cartum é como uma crônica, trata de temas do cotidiano, mas que não está preso a um determinado episódio, seu "prazo de validade" é maior, às vezes dura décadas sem perder o sentido.
No caso da figura ao lado, como trata de um problema de longa data e sem espectativa de resolução nos próximos anos, eu classificaria como cartum.
Esses dois gêneros textuais sempre buscam transmitir uma mensagem ou uma crítica através do humor. Todos os elementos da imagem e as palavras são determinantes para o entendimento.
O que eu quero de vocês, dois ou três leitores deste blog, é que façam inferências sobre o cartum desta postagem, ou seja, comentem sobre a mensagem transmitida, analisando os elementos da imagem para sustentar seu comentário.

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